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(Cap. LXXXIII) [Eumolpo] "Eu", disse ele, "sou poeta e, assim espero, não um poeta de humílima inspiração, se pelo menos se pudesse dar crédito às coroas que, por amizade, costumam-se conceder até mesmo aos inábeis. 'Por que, então, te vestes tão mal?', podes pensar. Exatamente pela seguinte razão: o amor pela habilidade intelectual nunca fez ninguém ficar rico.

Quem se confia ao mar se enriquece com grande lucro;
quem busca as batalhas e o seviço militar é cingido de ouro,
o desprezível bajulador se deita bêbado em púrpura bordada
e quem seduz as mulheres casadas tropeça em prêmios.
Somente a eloqüência treme em farrapos gelados,
e, com a língua indigente, invoca as artes abandonadas.

(LXXXIV) Não há dúvida que seja assim: se alguém, inimigo de todos os vícios, resolve dedicar-se ao caminho correto da vida, atrai em primeiro lugar a antipatia dos outros por causa da diferença de costumes: realmente, quem pode aprovar atitudes opostas? Em segundo lugar, os que têm cuidado de acumular riquezas só deles querem que se acredite que não existe nada melhor na face da terra do que o que ele próprio possui. Assim, perseguem, por qualquer motivo que conseguem, os amantes da literatura, para que eles se mostrem colocados abaixo do dinheiro."

LXXXIII - "Ego, inquit, poeta sum et, ut spero non humillimi spiritus si modo coronis aliquid credendum est, quas etiam ad imperitos deferre gratia solet. 'Quare ergo, inquis, tam male uestimus es?', propter hoc ipsum. Amor ingenii neminem umquam diuitem fecit.

Qui pelago credit, magno se faenore tollit;
qui pugnas et castra petit, praecingitur auro;
uilis adulator picto iacet ebrius ostro,
et qui sollicitat nuptas, ad praemia peccat:
Sola pruinosis horret facundia pannis
atque inopi lingua desertas inuocat artes.

LXXXIV - Non dubie ita est: si quis uitiorum omnium inimicus rectum iter uitae coepit insistere, primum propter probare diuersa? Deinde qui solas extruere diuitas curant, nihil uolunt inter homines melius credi quam ipsi tenent. Insectantur itaque, quacumque ratione possunt, litterarum amatores, ut uideantur illi quoque infra pecuniam positi."



Blog EntryPetronius in opera Satyricone sua: DE EDVCATIONESep 27, '05 9:10 PM
for everyone

(Cap. IV) Portanto, o que há mais para dizer? Os pais que não querem que seus filhos progridam por meio dum preceito severo merecem ser repreendidos. Em primeiro lugar, assim como fazem com todas as coisas, dão esperanças à ambição. Em seguida, quando se apressam para realizar seus desejos, forçam a dirigir-se ao fórum os estudos até então imaturos e revestem de eloqüência, coisa que reconhecem ser a melhor que existe, os meninos que mal nasceram. Porque, se eles permitissem que houvesse uma gradação dos estudos, de tal modo que pudessem formar os pensamentos de seus alunos com lições de filosofia, que pudessem arrancar palavras com esse instrumento implacável, que pudessem ouvir durante muito tempo os modelos que quisessem copiar, que pudessem convencer-se de que não há nada de extraordinário naquilo que agrada aos meninos, aí sim aquele grande discurso mostraria a importância de seu esplendor. Hoje, os meninos brincam na escola, os jovens riem no fórum, e o que é mais torpe do que essas duas coisas é que ninguém quer revelar na velhice o que aprendeu erradamente quando criança.

IV - Quid ergo est? Parentes obiurgatione digni sunt, qui nolunt liberos suos seuera lege proficere. Primum enim sic ut omnia, spes quoque suas ambitioni donant. Deinde cum ad uota properant, cruda adhuc studia in forum impellunt et eloquentiam, qua nihil esse maius confitetur, pueris induunt adhuc nascentibus. Quod si paterentur laborum gradus fieri, ut studiosi inuuenes lectione seuera irrigarentur, ut sapientiae praeceptis animos componerent, ut uerba atroci stilo effoderent, ut quod uellent imitari diu audirent, ut persuaderent sibi nihil esse magnificium quod pueris placeret, iam illa grandis oratio habere maiestatis suae pondus. Nunc pueri in scholis ludunt, inuuenes ridentur in foro, et quod utroque turpius est, quod quisque perperam didicit, in senectute confiteri non uult.



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