Daniel's posts with tag: meu

What are tags? You can give your posts a "tag", which is like a keyword. Tags help you find content which has something in common. You can assign as many tags as you wish to each post.
View posts by people in your network with tag meu
VideoPão doce (Carlos Sandroni)Nov 7, '07 3:08 AM
for everyone
Letra e música: Carlos Sandroni
Voz: Clara Sandroni
Vídeo-colagem: Daniel Zandonadi


Pão Doce_0001.wmv (6.8 MB)

Blog EntryPENSAMENTOS INCOMPLETOS -- FRAGMENTO 0DB.7D7Aug 7, '07 11:00 PM
for everyone

.....ez não consiga sem tocal-o. Môço! ei môço! Tens por accaso algum pão dormido? (surpreso pela idea que se me veio de subito, posso preparar-me para realizar meu intento depois de traduzir a sucção essencial do objecto). Me olhas, me captas? Preciso de um pão dormido porque os meus não conseguem dormir – nem êlles nem essas coisas todas, ellas mesmas em volta de mim não dormem há muito tempo. E assim estou há dias, mas não os dias como colecção de horas mas de annos que estou desperto por incapacidade de adormecer e que, por uma necessidade de immanencia, passam tão ràpidamente quanto um septimo humano de semmana. E então, môço, por alguma sorte nossas densidades de probabilidade se alçaram nalgum contacto sympathico? Tomara que eu, p.r D..s, consiga absorver de algo que já dormiu um pouco da tranqüillidade de não precisar acordar... Si o que te peço, môço, estiver a dormir, prometo esperar com êlle, nós dois, pela concomitancia de eventos oppostos: velarei inerme o seu somno sem confeito, aguardando o instante quasi polar em que o segrêdo expresso no seu despertar me regalará com a euhypnia cabal dos deuses minimos, fazendo-me transcender a consciencia já fôsca e rarefeita pela falta de lapso – destarte poderei quiçá finalmente falar outra vez a lingua que apprendi ainda no ventre, quando todo dialogo, ainda que manifesto, era soliloquio fluido e abundante.....


Photo AlbumCLAVSTRVM (1 photo)Jul 16, '07 12:23 PM
for everyone


Blog EntryPENSAMENTOS INCOMPLETOS -- FRAGMENTO 0C0.7D7Jul 10, '07 11:52 AM
for everyone

.....sisto e não me incomodo a principio: basto-me estar apparado pelo lugar do corpo que será tocado para fazer-me chorar ao nascer, entrechocando-me com meus irmãos plurivitelinos. É evidente que todos gostariamos de saber a hora exacta de ir á luz e deixar de estar menos entregue, mas o utero que nos contém também nos confunde. A alternancia rhythmica no fado colectivo faz-me agarrar com mais força á placenta fria que se torna tepida ao sugar paulatinamente meu calor. Dentre meus irmãos tão grisalhos, birrentos e pouco violentos, há os que se perfumaram demais numa tentativa de mitigar alguma doença congenita, e também o chulé duma creança dysodiosa e um apetrêcho diplodermico que me atenaza o flanco. A cadella quadrada acaba de parir uma senhora – ella obedeceu ao signal idiossincratico aguardado por cada um, talvez a côr daquela virilha citadina onde se vêem agora uma risada e uma grade incompleta. A aversão da matriz ao decubito põe-na em movimento novamente e, nessas horas, todos fingem não sentir seus sonhos sugados até o coração psychopompo onde explodem por empathia (sei que alguns vêm até aqui tão-sòmente para essa dação mechanica de devaneios infructiferos). Mudando de foco o olhar, gr.ç.s a .....s, apesar de tudo meu corpo sente-se bem por ter sido resguardado do cansaço de carregar-se, e o omnibus gravido de mim trabalha seu parto expulsando-me no vazio conhecido bem guardado por um braço de concreto revestido por um cartaz de propaganda que diz “sou o que fodo”. Daqui, agora, vejo penoso e involuntario o tecido ethereo cerzido pelos olhares dos nascituros – perdidos, é verdade, pois parecem tentar lembrar-se de algo escripto que o suor lhes apagou das mãos tr......


Blog EntryGRÁFICO AUTOPSÍQUICO (+ interseções)Apr 10, '07 11:25 PM
for everyone
GRÁFICO AUTOPSÍQUICO
(a Fernando Pessoa)

Fingido em si mesmo escreve
O poeta fragmentado
Por dor tal que não se atreve
Tocar seu eu eclipsado.

O que cala sua poesia,
Pelo bem deles, refletem
Uma e outra imagem fria —
Dentro em si, sem cor, competem.

O caminho é torturante
Duplo círculo mal feito
Sem tamanho, sem quadrante,
Um pulsar fora do peito.


INTERSEÇÕES DESEJÁVEIS HOMENAGEANTES
(com Fernando Pessoa, ortônimo: "Autopsicografia")

I.

O poeta é um fingidor: fingido em si mesmo escreve;
Finge tão completamente o poeta fragmentado
Que chega a fingir que é dor, por dor tal que não se atreve,
A dor que deveras sente tocar seu eu eclipsado.

E os que lêem o que escreve, o que cala sua poesia,
Na dor lida sentem bem, pelo bem deles, refletem
Não as duas que ele teve, uma e outra imagem fria,
Mas só as que eles não têm dentro em si, sem cor, competem.

E assim nas calhas de roda o caminho é torturante:
Gira, a entreter a razão, duplo círculo mal feito
Esse comboio de corda sem tamanho, sem quadrante,
Que se chama coração um pulsar fora do peito.

II.

Fingido em si mesmo escreve — o poeta é um fingidor —
O poeta fragmentado finge tão completamente,
Por dor tal que não se atreve, que chega a fingir que é dor
Tocar seu eu eclipsado a dor que deveras sente.

O que cala sua poesia e os que lêem o que escreve
Pelo bem deles refletem; na dor lida sentem bem,
Uma e outra imagem fria — não as duas que ele teve
Dentro em si, sem cor, competem — mas só as que eles não têm.

O caminho é torturante e assim nas calhas de roda,
Duplo círculo mal feito gira, a entreter a razão,
Sem tamanho, sem quadrante, esse comboio de corda
Um pulsar fora do peito que se chama coração.




(Imagem de James Walsh in deviantArt)

Blog EntryGÊNESEApr 4, '07 3:44 AM
for everyone

... não havia nada para ser aspirado, só o Vazio. Do Vazio foi criado o grande Nada, e o Nada era bom antes de tudo, antes do universo inteiro, quando só havia os deuses mínimos: o Pastor do Vínculo, a Cabra feliz e o Javali ranzinza. O Amor entre eles gerou o Acaso e o Devir. O Devir menino amordaçou o Acaso e a ausência de sua voz permitiu que o maldoso Javali obrigasse a Cabra a pastar o Nada. Revoltado, o Pastor fez com que o Javali comesse os dejetos da Cabra e, um dia, o Javali opressor vomitou o Universo inteiro. Do Acaso amordaçado nasceram as Possibilidades e, do Devir, o primeiro deus máximo. Tudo era feio e insano até que surgiram as Estrelas quentes. Eram tão lindas e brilhantes e bondosas que em meio a elas vagavam e brincavam todos os deuses máximos. Um deles, Samiavast, invejou a luz das estrelas e começou a sugá-la para si. Então nasceram as primeiras Estrelas frias. As Estrelas ficaram tão tristes que decidiram ir embora: das suas lágrimas nasceram a Compaixão e a Vingança. A elas foi confiada a tarefa de criar a Vida e reparar o dano causado às Estrelas frias. As duas se beijaram lascivamente e, num jorro de pó e beleza, nasceram sobre as Estrelas frias as primeiras criaturas vivas: o Globo pulsante e o Fio de átomos — uma grande festa para dois! E depois surgiram as lombrigas, as lacraias, as lampreias, as salamandras, as cobras, as gaivotas e as toupeiras. Por último, o Macaco Mestiço. Quando ele apareceu, a Vingança deu seu único sorriso; dele se desprendeu uma gota de saliva que virou o Grande Ovo sem Gema. Aquecido pela Compaixão, o Ovo teve sua casca rompida pela Vingança e dele nasceu a Fome. Sem lugar no Universo, a Fome achou morada no único lugar vazio: a Alma dentro dos Macacos. De lá de dentro, a Fome ensinou os Macacos Mestiços, os Vingadores, a fazer muitas coisas: o Fogo, a Roda, o Chicote e o Deus Encadernado. O Fogo foi usado para cozinhar a Natureza; o Chicote, para domar os inocentes; a Roda, para procurar o que domar; e o Deus Encadernado inventou o Pecado. Muitas maravilhas foram construídas pelo Macaco Mestiço, mas ele, com medo do Pecado, obrigava a Natureza a comer seus dejetos. Um dia a Natureza oprimida resolveu ir embora: devorou a luz da última Estrela quente e vomitou o Vazio no Universo.
As almas famintas dos Macacos então morreram porque ... não havia nada para ser aspirado, só o ...





(Imagem de Navid E. in deviantArt)


Blog EntryPENSAMENTOS INCOMPLETOS -- FRAGMENTO 02E.7D7/RFeb 14, '07 10:56 PM
for everyone
..... ilo, não acredito em nada mesmo, podes deixar, subindo ou não em arvores genealogicas para comer a mim mesmo na ponta, mas não posso deixar de reparar o quanto sigo em fluxo da mesma maneira, por cima ou por quem quer que seja, lavado em jôrro sacro de fragrancia tão viril mas tão pouco prospera, e escrevo pouco, é verdade, e te leio rouco ainda, ainda bem, ainda ....







(em resposta á postagem de António D. Lopes; imagem de Brian Hardison in deviantART)

Photo AlbumVITA VOLAT COLOR MANET (5 photos)Jan 3, '07 7:19 AM
for everyone

Homenagem a Jane Chiesse.

Photo AlbumEXSVLES FILII HEVAE (20 photos)Dec 17, '06 11:58 PM
for everyone


Blog EntryINCAUTADec 12, '06 11:59 PM
for everyone
Uma aranha fez sua teia junto à minha janela.
Capturou um olhar oblíquo e, incauta,
devorou-o à tarde.
Quando viu a Lua, que espanto:
virou hermafrodita.

Blog EntryPENSAMENTOS INCOMPLETOS -- FRAGMENTO 147.7D6Nov 24, '06 12:25 AM
for everyone
.... e o freio é um pedal duro, não por sel-o mas por querermol-o assim. Vejo no espêlho o que ficou pra tras, mas reflectido na frente de mim, e eu passo por cima do que não há com a mesma velocidade que cruzei o que deixei mas não por cima: dentro em meio. E me vejo lá na esquina onde me vendi e me vi passando agora com os olhos naufragos, mãos no volante, voando involuntario pelas rugas da cidade: Fernão de Oliveira, Fernando Persona Vaz, Victruvio Aparecido dos Santos, Laís Tavão Ferro. Nada do meu lado, só uma ausencia densa que me fez ver o sorriso das coisas ah, se todos pudessem ver sem medo como são lindos os dentes do hydrante verm .....

Blog EntryPENSAMENTOS INCOMPLETOS -- FRAGMENTO 10B.7D6/ISep 24, '06 7:24 PM
for everyone

(durante conversa com Miguel)

..... ...ústica, porque não há corrente longa o bastante para fazer com que um poema se ancore n'alma .....

(imagem: MALIK, Maksim. Anchor the Second Version. pseudomuffin in deviantART http://www.deviantart.com)


Blog EntryPENSAMENTOS INCOMPLETOS -- FRAGMENTO 0DF.7D6Aug 10, '06 10:43 PM
for everyone
..... servia de tampo para uma mesa estranha. E nessa estranha mesa eram servidos pratos sordidos: appendices crus com vinagre de tamarindo, ambrosia com pele hirta de suino branco, pêras flambadas ao uísque e sorvete de gesso, peixe-palhaço assado em cruz com crysanthemos. Junto-me aos convivas que se banqueteiam já, comida entrando nelles por cima, enfiadas por cima, mascando a propria baba varias vezes, varias vezes. Mas o que me chama attenção é aquelle pote de vidro, uma geleia. Nella estão dous olhos immersos num grude doce, rosa e feio, com um rotulo dourado, onde se lê em relevo: "Gustavo.....


Blog EntryPENSAMENTOS INCOMPLETOS -- FRAGMENTO 01E.7D6/IJan 30, '06 2:38 PM
for everyone

(Incitatus a Διέγο Παληόλογος)

.....um tanto a cada vez em que me esquecia. Uma falta subita de calor congela, então, toda sombra viva e expõe o esqueleto incerto do unico universo valido. O desgaste minimo provocado por este retardo acrescenta alguns graus á nossa natureza divina — não por offuscar de eternidade mas por multiplicar vectores. Logo, a densidade de probabilidade se mostra cada vez mais lucida e a nuvem estructural aprisiona um numero maior de intenções: todas as funcções ejectivas se reaggrupam de modo a preencher o espaço agora menos flacido, e se mostram promptas para enlaçar vertices circumvizinhos.

Fico feliz comigo mesmo de descobrir a razão de ter feito o que fiz: de accôrdo com êstes meus calculos, não se tractou de nada mortal ou venial sequer, mas duma conjugação parcial do Verbo então — talvez a manifestação duma desinencia d'Êste somente. Que reacção mais torpe a minha, meu Deus, quando tentei repudiar a manifestação da Sua essencia, ora pro mihi peccatore. Ah, se soubesse que era tão violento o cogito ergo sum, nunca teria me colocad.....



Blog EntryAS ADJACÊNCIAS VITAIS, CAPÍTULO n+1Jan 24, '06 8:38 AM
for everyone

AS ADJACÊNCIAS VITAIS blog-novela em x capítulos

CAPÍTULO n+1, donde n+y=x

No capítulo anterior, Sodomito se recolhe aos seus aposentos com uma foto de Saragurinha que tirou de seu recado no telecom.

Dominicéia, mãe de Sodomito, volta da cozinha onde encontrou seu filho em devaneios com a foto de Saragurinha em suas mãos. Preocupada, vai até a sala e encontra Litóvão, seu esposo, decifrando as instruções da abelha de controle remoto que Rimenaldo ganhara de seu irmão naquela noite. Rimenaldo é um menino muito inteligente, aprendeu a operar seus inteliquadros sozinho, passando a ensinar a todos os seus colegas na escola. Insistindo muito com seu pai, consegue reaver o controle remoto do inseto artificial, juntamente com o manual de instruções: está muito contente por ganhar algo que causará inveja e admiração junto a seus amigos. Litóvão percebe a perturbação n'alma de sua esposa, aborda-a e abraça-a gentilmente, como fazem os osvaldos nas copas das grandes árvores:
— O que te preocupa, minha querida?
— É o Sodô... Você já percebeu como anda distante, sonhando acordado pelos cantos? Fiquei sabendo que foi repreendido no trabalho por estar desatento. Parece que hoje descobri a causa. Por Nife!! Tenho até medo de te falar...
— Diga logo, mulher!
— Ele está enamorado... antes fosse por qualquer outra garota da sua idade fenotípica, mas o destino tão cruel o colocou diante de ninguém menos que Saragurinha...! Litóvão imediatamente faz uma boca torta, com ares de não ter a mínima idéia do que se trata:
— E o que é que tem isso?
Dominicéia, com a boca trêmula e os olhos umedecidos pela angústia de ser a portadora de tal informação, olha bem nos olhos de Litóvão e diz baixinho:
— Você não sabe quem é a Saragurinha, Lili? Ai, por Nife, ela é filha de Cantinflas e Girolana...
Litóvão fica prostrado por alguns segundos, contudo abre um enorme sorriso depois disso e entre risadas tenta consolar Dominicéia:
— ahHahaHAH! Ah, Domi, você não sabe como são os jovens? Já se esqueceu?... Isso é passageiro. Sodô é muito menino ainda, tem muito pela frente! Encontrará muitas outras garotas até achar aquela com quem se casará...! E terá muitos filhos a partir de então! A programação familiar que a genética proporciona hoje será ainda melhor no futuro!
Dominicéia, no entanto, não se põe menos preocupada e comenta:
— É exatamente disso que eu estou falando, Lili: genética... Você SABE o que Cantinflas e Girolana estavam fazendo no Reprogen vinte anos atrás, época em que tínhamos programado Sodomito.
Litóvão, com um ar bonachão que lhe era peculiar, insiste tranqüilamente:
— Não é nada pra se preocupar, querida! Sodô é muito novo, é um rapaz muito bonito, muito sacudido, tem um futuro na empresa onde trabalha, o que não faltará são garotas atrás dele muitas ainda mais interessantes que essa tal Saragurinha!
Dominicéia se mostra menos aterrorizada mas mantém ainda, no firme semblante de uma formosa mulher madura, a preocupação de que algo de sério possa acontecer entre seu amado filho e aquela com quem seus genes não poderiam se encontrar.

No dia seguinte, Saragurinha acorda feliz e se encontra com a família na cozinha. Girolana está em pé fazendo o que Cantinflas mais gosta de comer pela manhã: omelete de ovos de olga com tiras defumadas de carne de anderson. Corre até sua mãe dando-lhe um beijo estalado, fazendo o mesmo depois com seu pai. Sua mãe lhe sorri e seu pai resmunga um pouco, limpando a bochecha onde Saragurinha dera um beijo molhado.
— Bom dia!
Sua mãe olha para trás e pergunta-lhe o que gostaria de comer:
— Minha filha, você quer omelete também ou preparo outra coisa pra você?
Saragurinha está apressada para ir ao colégio e não parece estar com fome:
— Não quero nada, mamãe! Vou tomar um copo de leite só!
— Então toma leite de milena porque alimenta mais, e deixa o leite de sérgio pra eu cozinhar...!
Saragurinha não parece escutar, põe leite no copo até a boca e o sorve rapidamente. Limpa a boca no avental de Girolana e se vai.
— Tchau mãe, tchau pai! Até mais!
Ao ver Saragurinha sair pelo corredor, grita:
— Que isso, minha filha!!...
Seu pai só olha por cima dos ombros e brada:
— Estuda direitinho, hein? Juízo! Volta DIRETO pra casa!

Do lado de fora da escola, a sorridente Saragurinha encontra-se com Jaimunda: ela está absorta ao perceber uma menina entrando na escola com trajes muito pouco convencionais. O sorriso de Saragurinha se desmancha ao seguir o olhar de Jaimunda e passando a focalizar a triste menina. Saragurinha percebe que Jaimunda está preocupada com alguma coisa:
— Que foi, Jai? É a garota? Tadinha... Por que ela está usando roupa isolante?
Jaimunda baixa os olhos e diz o que sabe sobre o caso:
— Ah, Sará... sei que ela apareceu com um problema genético... Me parece que começou a crescer um terceiro pulmão nela...
Saragurinha, sempre irônica, comenta:
— Melhor pra ela!
— Você acha, Sará? Olha lá, ela está calafetada, sem contato direto com o mundo!...
A reação exagerado de Jaimunda em relação ao assunto desperta-lhe a curiosidade:
— O que foi, Jai? Por que você tá preocupada?
Jaimunda aponta para os cotovelos e os mostra a Saragurinha:
— Notei ontem que meus cotovelos estão inchados... Passa só a mão. Tô com medo de ser algum problema genético... Você sabe que todos nós estamos sujeitos a isso... Você se lembra daquele menininho que teve o fenótipo adiantado de 3 para 70 anos de uma hora pra outra?
Saragurinha passa ligeiramente as mãos sobre os cotovelos da amiga e põe-se a animá-la:
— Que isso, Jai!! O Animaliferador já estava numa versão adiantada quando fomos programadas, estamos livres de um monte de problemas!
— É, mas olha a garotinha: o fenótipo dela é mais novo que o nosso e surgiu esse problema nela... Imagino o que pode nos afetar e nem sabemos... Não quero virar uma aberração genética!!
Procurando colocar um fim naquele assunto mórbido, Saragurinha a admoesta conclusiva porém animadoramente:
— Então procura o Aconselhamento Genético da escola e pára de ficar pensando besteira!
Retomam o passo em direção à escola. Ao atravessarem a rua em direção ao portão, as duas amigas têm uma bela surpresa: Sodomito e Calupto no caminhão da empresa lhes acenam de dentro da cabine. As duas ficam tão estupefatas pela surpresa que são advertidas pelo guarda de trânsito para se moverem dali. Acenam em resposta aos gracejos dos dois mancebos e correm ao outro lado da rua onde está o portão da escola. Entram saracoteando enquanto o guarda as observa.

Dentro do caminhão de entrega, esperando a luz verde do sinal, Calupto puxa papo com Sodomito acerca de Saragurinha:
— E aí? Tá apaixonado?
— Olha, rapaz, acho que nunca senti por outra o que sinto por Sará... Não consigo parar de pensar nela nem um minuto!
— É... quem diria? Sodomito apaixonado!! Você que nunca se importou com isso!
— Não sei o que acontece, Calu. Desde a primeira vez que vi a Sará fiquei vidrado, isso nunca me aconteceu antes!
O sinal abre e Calupto arranca com o pesado. A conversa continua:
— E você já conhece os pais dela?
Sodomito relembra o tratamento rude dispensado a ele durante a última ligação para Saragurinha, e responde:
— Ah cara... o pai dela é durão... tô criando coragem ainda.
— É normal, deve ser ciúme de pai: a Saragurinha é linda, ele deve ser o tipo de pai que quer o melhor para a filha, dá pra entender isso só de olhar como ela é sarada...!
— Ô rapaz, você já tem a tua, olha a brincadeira errada...
Calupto sorri fazendo um sinal com a cabeça indicando que se tratava de uma brincadeira somente. Ao dobrar uma rua, Calupto pára o caminhão numa vaga, abre a porta e diz a Sodomito:
— Vou dar um pulinho aqui na loja ao lado, deve ter chegado uma encomenda pra mim. Enquanto Calupto está fora, Sodomito relembra a imagem de Saragurinha acenando para ele enquanto atravessava a rua, com um amplo sorriso em seu lindo rosto e um brilho intenso em seus olhos. Calupto abre a porta e adentra a cabine e a fecha com um arranque do veículo.
— Calma, cara, que isso! — diz Sodomito assustado. Calupto está excitado com o pacote que trouxe:
— Tenho que passar em casa rapidinho pra deixar isso aqui!
Sodomito lhe pergunta sobre o conteúdo do pacote. Calupto lhe responde ainda excitado pela aquisição mas com ar receoso quanto à aprovação do amigo:
— São os restos de unha que encomendei. Eu faço coleção de restos de unhas cortadas. Essas daqui são as mais raras e antigas que consegui comprar: são cacos de unhas de dedos mínimos duma tribo tavisni! Eles só cortam essas unhas a cada cinco anos! Vale um dinheirão no mercado de fontes genéticas!
Sodomito faz um ar de reprovação mas não deixa Calupto perceber o quanto ficou enojado com o conteúdo do embrulho.

Enquanto se dirigem à casa de Calupto, Sodomito fica repassando cada fração de segundo da visão de Saragurinha lhe acenando, como se já tivesse vivido aquela situação. Algumas vezes ele tenta se relembrar de todos os detalhes mas lhe foge o conteúdo do rosto de Saragurinha em sua mente, e tudo o que ele vê é o corpo perfeito de uma garota sem rosto que simplesmente passa e lhe sorri...


Blog EntryPENSAMENTOS INCOMPLETOS -- FRAGMENTO 012.7D6/IJan 18, '06 10:15 AM
for everyone

....... mas sem sabão e, por isso, de certa maneira é estimulante deixar recados lá para êlle. Não dá para saber a que horas minhas palavras vão sumir de vez, imprevisivel se alguém mais as lerá antes de partirem. Cada uma destas palavras são, então, quase únicas, e sua morte uma homenagem á natureza da vida: será que nós, aqui, também não somos lêttras virtuaes registradas num binario duplo em helice cuja duração não pode ser prevista ou sequer esperada? Peccado seria, então, desejar qualquer possibilidade de sobrevida maior que o tempo que se leva pra cair um lenço de adeus do dirigivel até o chão onde se encontram os mortaes. Galileo estava certo o tempo todo então, prevendo que as cousas mais graves não cáem mais ou menos devagar — o mesmo se pode dizer dos pensamentos mais leves ou pesados, attrahidos equanimemente para o centro gravitacional de cada espectador incauto que chegou ali quando se soube do .......



Blog EntryAS ADJACÊNCIAS VITAIS, CAPÍTULO nAug 19, '05 11:56 PM
for everyone

AS ADJACÊNCIAS VITAIS
blog-novela em x capítulos

CAPÍTULO n, donde n+y=x



 

No capítulo anterior, Saragurinha está na escola e escuta a sirene. Na correria em direção ao portão, encontra Jaimunda com que troca beijos:
— Jaimunda do céu, estava pensando o tempo todo hoje em você! Estava experimentando uma roupa térmica na confeitaria quando vi Calupto dirigindo o caminhão da McKalor! Não sabia que ele estava trabalhando como motorista!
— Ah é, menina, ele foi promovido! Saiu da seção de abastecimento criogênico, graças a Nife!
— Que bom, então! Estava doida pra te ver e te contar!

Entra em casa saltitante como sempre, jogando o inteliquadro no sofá. Cumprimenta seu pai, Cantinflas, que a olha de esguelha de onde está, voltando logo à sua leitura. Cantinflas descobriu a poucos dias atrás da paixão de Saragurinha por Sodomito e desde então a trata friamente. Saragurinha dá de ombros e se dirige à cozinha onde encontra sua mãe tirando a ração do esquentador.

Oi mamãe! Estou morrendo de fome!
Senta-se à mesa e indaga à sua mãe o motivo da recente mudança no tratamento de seu pai em relação a ela:

Mamãe, o papai está chateado com alguma coisa? É comigo?
Sua mãe, Girolana, responde-lhe tentando disfarçar:
Ah filha, você sabe, o papai é muito ocupado, com certeza é alguma coisa do serviço.
Saragurinha se satisfaz com a resposta e põe-se a comer.
Minha filha, pode pegar o refresco de jânio que está na geladeira.

Enquanto a filha está ocupada na cozinha, Girolana disfarça e vai até a sala, sentindo que Cantinflas quer-lhe falar.
Lana, não sei como me comportar! Como vou dizer a Saragurinha quem pode ser esse menino! Você sabe de quem ele é filho, não sabe?
Girolana, aflita, lança um olhar perdido para o tempômetro:
É claro que eu sei, Tim! Pelo Nife sagrado, você não acha que devemos contar-lhe sobre isso?
Ainda não, minha querida... Esperemos mais um pouco para ver no que dá esse interesse: torço veementemente para que isso não dê em nada.

Na vizinhança oposta, Sodomito acaba de sair da McKallor, onde também trabalha Calupto, namorado de Jaimunda, e se dirige à Confeitaria Selene onde toma quotidianamente uma cerveja de wilson depois do expediente . Seu amigo Fulípio chega de súbito e cumprimenta-o com um tapinha nas costas:
Grande Sodô! Como é que tá? Pelo jeito está bem... fiquei sabendo do sentimento que tá rolando aí entre você e a Sará! Pô, rapaz, se eu tivesse essa sorte... mas não: só pego bagulho! Eu pareço até lista de classificador de refugo genético!
Ô rapaz, sei não... Ela parece que tá arrastando a maior asa pra cima de mim, isso é verdade! Mas não tem nada certo, não. Vamos ver como fica a situação depois do fim de semana.
Fulípio se despede do amigo sorridente e se vai.

Sodomito paga a conta se vai logo depois. Chega em casa com um embrulho e encontra sua mãe, seu pai e seu irmão brincando de Hospital Geral. Tinha sido aniversário de Rimenaldo, o caçula, mas Sodomito estava se encontrando com Saragurinha na porta da escola e, por isso, não compareceu à festinha.
Tudo bom, maninho? Pensou que eu tinha me esquecido do teu aniversário?
Sorri para o irmão e dá-lhe o embrulho. É uma linda abelha de controle remoto que Rimenaldo sempre sonhou.
Obrigado!!! Puxa-vida!
O menino não tem palavras para agradecer o gesto do irmão e põe-se imediatamente a operar por controle remoto o inseto voador.
Encontra-se com sua mãe no corredor:
Sodô, tem um recado pra você no telecom.
Era uma mensagem de Saragurinha, dizendo-lhe que foi muito bom encontrá-lo na porta da escola e tomar sorvete de orlando enquanto passeavam pela alameda. Tomado pela emoção, resolve contactar Saragurinha, mas quem atende o telecom é Cantinflas, seu pai:
Oi seu Cantinflas! A Saragurinha está?
Não, ela saiu e desliga abruptamente o telecom na cara de Sodomito. Intrigado pelo comportamento de Cantinflas, Sodomito imprime uma imagem de Saragurinha no telecom e a leva consigo para a cozinha onde pega um copo de leite de milena.
Sua mãe adentra e o vê à mesa:
Sodô, já não te falei que o leite de milena é pro teu irmão?!
Sodomito, no entanto, não esboça reação e mantém seu olhar perdido enquanto segura a foto de Saragurinha. Dominicéia, sua mãe, percebe o motivo do ensimesmamento de Sodomito e o deixa só com seus pensamentos. (continua)


Blog EntryEX CRETĀApr 1, '05 2:18 PM
for everyone

(Incitatus a Διεγο Παληόλογος in opera sua laterales: de prospectu obliquo)

Oiço a rede
e os gritos pescadores
costurando ondas de θαλάσσα (thalássa)

Acontece sempre
quando saem de mim
essas mulheres de Creta

Farfalhar dúbio
das que têm coragem
de nos mostrar as cobras

Da minha costela mais dura
nasce de mim essa mulher
que, apartada,
me chama de
vasto.

(mais mulheres de Creta)



Blog EntryVIÚVAMar 22, '05 10:13 AM
for everyone

(Secundum Διεγο Παληόλογος in opera sua Quinque Vidŭae uel Quinque Fenestrae Ad Mortem)

... e não vi nenhuma das vezes em que a porra da andorinha entrou. Acho que eu estava virada para a parede, sendo lambida pelas caras de manjar branco desses papa-defunto-de-velório. Eu queria é estar fazendo feira agora, escolhendo abacate pra comer com açúcar quando chegar em casa, coçando o dedão do pé. Droga, a gelatina acabou e não fiz mais. Gente egoísta... Olham pra mim, o Delei mortinho-da-silva todo carbonizado no caixão, e dizem: "meus sentimentos, meus sentimentos..." Quero que vá todo mundo se foder com tanto sentimento. Eu sei o que é foder, o Delei me fodia e me fodia com gosto. Muito choro, vela pingando, fogo, gente gemendo baixinho, esse velório tá me dando uma tesão danada... Ah, Delei, e agora? Marido quente ainda no caixão e eu aqui pensando em foder, mas ué!: alguém tem que pensar! Outro homem na minha vida?? Só se for pra me foder muito! Dinheiro, não tenho. Não quero amolação de marido chegando com bafo de cachaça em casa: vai morrer pra lá — eu já enterrei um, não enterro outro. Nossa, tanta vela... tenho que ir na macumba pra jogar um búzio pra ver o panorama da situação... A Light vem cortar a luz na sexta se eu não pagar, vou pedir à Zezé uma grana pra pagar a luz esse mês — qualquer um vai ter piedade da viúva, vou deitar os cabelos. Puta que o pariu, tivessem cortado a luz anteontem tu não tinha morrido, Delei... Tu é um corno mermo.




... perdendo os novellos por debaixo dos circuitos. Assim, sem os sentidos que distinguem o sangue do leite, decidi relegar o contrôle do VEH7 ás condições de humor dos computadores de bórdo.

Foi assim que, perdendo pela oitava vez a consciencia, deixei os spiritus directores tomarem conta de mim e, por alguma razão, chegamos a um systema desconhecido. Orientado por Τηλέμαχος, meu irmão cybernetico, mediquei-me como de costume antes de tentar localizar o lugar para o qual nosso modulo fôra trazido de tão longe. Τηλέμαχος já estava, a essa hora, numa tentativa de conexão com os spiritus directores de modo a investigar o facto -- eu percebi o pulsar nobre de sua fronte em direcção ás Aparecidas. Resolvi, pois, deixal-o occupado com a canalização e pedi mentalmente a Maazto que tractasse da solução mathematica e vectorial das freqüencias.

Neste momento, juntei-me a Tomaro e, sentindo o bem-estar advindo desta empathia, accionamos os protocolos de rastreamento e comecei a monitorar os padrões de ondas emittidos pelos corpos celestes á nossa volta. O mais proximo dêlles irradiava ondas num padrão perturbador, modulava todas as frequencias de modo que ellas se fundissem num só vector. Percebi a magnitude de sua força quando o VEH7 acabou de processar as informações obtidas e, a partir dellas, mostrou na tela o formato do immenso corpo celeste que ignorava nossa infima presença.

Maazto começou a identificar os principaes focos de dados vectoriaes e revelou em côres a imagem da tela. Eu via a expressão em seus olhos á medida em que excitava os photons na frequencia exigida e, a partir dahi, não confiei mais em minhas unhas dos dedos. Τηλέμαχος me confessou estar preocupado com as eventuaes alterações nas conexões mysticas entre os presentes e, por isso, tentei beber o maximo de agua que consegui. Queria me libertar do modulo e copular com o concentrador sub-atomico -- meu jôrro de aura deslocava a varredura Sigma para o vermêlho. VEH7 mostrava signaes de morphismo improprios para o momento; a vida em meu corpo parecia cohesa apenas em alguns encaixes duplos e o escudo da nave parecia fazer pêso sobre nossas costas.

Vasculhava-me com o tomographo e sentia-me humiditatis plenus. Aura maxĭma transĭbatur ex uoluptate, manus statuentes in tŭrgore phallĭco post commutabantur frictionantĭbus. O tomographo de microparticulas mihi reuelauit um órgão estranho no ventre que me escapara ab scientiā. Não podíamos prever com certeza, mas ali cohabitavam havia algum tempo, quiçá nunca o...

P.S.: Τηλέμαχος é a versão grega original para o nome Telêmaco e pronuncia-se 'télêmakhos' (o -kh- é o som da letra grega chi χ e corresponde ao ch alemão, ou seja, um h fortemente aspirado).




Pages:12
© 2008 Multiply, Inc.    About · Blog · Terms · Privacy · Corp Info · Contact Us · Help

Template design - Copyright © 2005 Sam Royama All rights reserved.