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Blog EntryGRÁFICO AUTOPSÍQUICO (+ interseções)Apr 10, '07 11:25 PM
for everyone
GRÁFICO AUTOPSÍQUICO
(a Fernando Pessoa)

Fingido em si mesmo escreve
O poeta fragmentado
Por dor tal que não se atreve
Tocar seu eu eclipsado.

O que cala sua poesia,
Pelo bem deles, refletem
Uma e outra imagem fria —
Dentro em si, sem cor, competem.

O caminho é torturante
Duplo círculo mal feito
Sem tamanho, sem quadrante,
Um pulsar fora do peito.


INTERSEÇÕES DESEJÁVEIS HOMENAGEANTES
(com Fernando Pessoa, ortônimo: "Autopsicografia")

I.

O poeta é um fingidor: fingido em si mesmo escreve;
Finge tão completamente o poeta fragmentado
Que chega a fingir que é dor, por dor tal que não se atreve,
A dor que deveras sente tocar seu eu eclipsado.

E os que lêem o que escreve, o que cala sua poesia,
Na dor lida sentem bem, pelo bem deles, refletem
Não as duas que ele teve, uma e outra imagem fria,
Mas só as que eles não têm dentro em si, sem cor, competem.

E assim nas calhas de roda o caminho é torturante:
Gira, a entreter a razão, duplo círculo mal feito
Esse comboio de corda sem tamanho, sem quadrante,
Que se chama coração um pulsar fora do peito.

II.

Fingido em si mesmo escreve — o poeta é um fingidor —
O poeta fragmentado finge tão completamente,
Por dor tal que não se atreve, que chega a fingir que é dor
Tocar seu eu eclipsado a dor que deveras sente.

O que cala sua poesia e os que lêem o que escreve
Pelo bem deles refletem; na dor lida sentem bem,
Uma e outra imagem fria — não as duas que ele teve
Dentro em si, sem cor, competem — mas só as que eles não têm.

O caminho é torturante e assim nas calhas de roda,
Duplo círculo mal feito gira, a entreter a razão,
Sem tamanho, sem quadrante, esse comboio de corda
Um pulsar fora do peito que se chama coração.




(Imagem de James Walsh in deviantArt)

Blog EntryGÊNESEApr 4, '07 3:44 AM
for everyone

... não havia nada para ser aspirado, só o Vazio. Do Vazio foi criado o grande Nada, e o Nada era bom antes de tudo, antes do universo inteiro, quando só havia os deuses mínimos: o Pastor do Vínculo, a Cabra feliz e o Javali ranzinza. O Amor entre eles gerou o Acaso e o Devir. O Devir menino amordaçou o Acaso e a ausência de sua voz permitiu que o maldoso Javali obrigasse a Cabra a pastar o Nada. Revoltado, o Pastor fez com que o Javali comesse os dejetos da Cabra e, um dia, o Javali opressor vomitou o Universo inteiro. Do Acaso amordaçado nasceram as Possibilidades e, do Devir, o primeiro deus máximo. Tudo era feio e insano até que surgiram as Estrelas quentes. Eram tão lindas e brilhantes e bondosas que em meio a elas vagavam e brincavam todos os deuses máximos. Um deles, Samiavast, invejou a luz das estrelas e começou a sugá-la para si. Então nasceram as primeiras Estrelas frias. As Estrelas ficaram tão tristes que decidiram ir embora: das suas lágrimas nasceram a Compaixão e a Vingança. A elas foi confiada a tarefa de criar a Vida e reparar o dano causado às Estrelas frias. As duas se beijaram lascivamente e, num jorro de pó e beleza, nasceram sobre as Estrelas frias as primeiras criaturas vivas: o Globo pulsante e o Fio de átomos — uma grande festa para dois! E depois surgiram as lombrigas, as lacraias, as lampreias, as salamandras, as cobras, as gaivotas e as toupeiras. Por último, o Macaco Mestiço. Quando ele apareceu, a Vingança deu seu único sorriso; dele se desprendeu uma gota de saliva que virou o Grande Ovo sem Gema. Aquecido pela Compaixão, o Ovo teve sua casca rompida pela Vingança e dele nasceu a Fome. Sem lugar no Universo, a Fome achou morada no único lugar vazio: a Alma dentro dos Macacos. De lá de dentro, a Fome ensinou os Macacos Mestiços, os Vingadores, a fazer muitas coisas: o Fogo, a Roda, o Chicote e o Deus Encadernado. O Fogo foi usado para cozinhar a Natureza; o Chicote, para domar os inocentes; a Roda, para procurar o que domar; e o Deus Encadernado inventou o Pecado. Muitas maravilhas foram construídas pelo Macaco Mestiço, mas ele, com medo do Pecado, obrigava a Natureza a comer seus dejetos. Um dia a Natureza oprimida resolveu ir embora: devorou a luz da última Estrela quente e vomitou o Vazio no Universo.
As almas famintas dos Macacos então morreram porque ... não havia nada para ser aspirado, só o ...





(Imagem de Navid E. in deviantArt)


Blog EntryPENSAMENTOS INCOMPLETOS -- FRAGMENTO 10B.7D6/ISep 24, '06 7:24 PM
for everyone

(durante conversa com Miguel)

..... ...ústica, porque não há corrente longa o bastante para fazer com que um poema se ancore n'alma .....

(imagem: MALIK, Maksim. Anchor the Second Version. pseudomuffin in deviantART http://www.deviantart.com)


MusicLa la la laaaa laaa...Sep 14, '06 1:49 AM
for everyone
Foi Abobran Yielkis quem pediu...
Lalalalalaaa   

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