Daniel's posts with tag: arte brasileira
I - Entrada (em sertanês) Meu patrão, minha sinhora Meu patrão, minha sinhora Cũ licença de meceis Nóis cheguemo aqui agora Viemo nunciá o Santo Reis Viemo nunciá o Santo Reis
II - Louvação (em sertanês) São José, Virge Maria São José, Virge Maria Vai um jumentim também Vai um jumentim também Pirigrinano os três Pirigrinano os três Nas istrada di Belém Nas istrada di Belém
O sinhô cum sua dona O sinhô cum sua dona Tem nessa casa um tisôro Tem nessa casa um tisôro Os filhos qui istão durmino Os filhos qui istão durmino Vale mais qui prata e ôro Vale mais qui prata e ôro
Oi lá vai os Três Rei Mago Oi lá vai os Três Rei Mago Cũ ũa estrêla de guia Cũ ũa estrêla de guia Visitano na capela Visitano na lapinha O Minimo qui nascia O Minimo qui nascia
III - Aleluia Na palha o boi parou de remoer O carneiro na eira mugiu O burro levantou quando Jesus nasceu E os pastores na guarda deram Glória a Deus Aleluia, aleluia, aleluia! O cego viu, o coxo caminhou O mudo de nascença falou Quando Jesus andou aqui Jesus, o Bom Pastor da casa de Davi Aleluia, aleluia, aleluia! | Noite de Santo Reis | | Na Quadrada das Águas Perdidas | | Elomar | |
Em 1975, Chico escreveu com Paulo Pontes a peça Gota d'água, a partir de um projeto de Oduvaldo Viana Filho, que já havia feito uma adaptação de Medéia, de Eurípedes, para a televisão. A tragédia urbana, em forma de poema com mais de quatro mil versos, tem como pano de fundo as agruras sofridas pelos moradores de um conjunto habitacional, a Vila do Meio-dia, e, no centro, a relação entre Joana e Jasão, um compositor popular cooptado pelo poderoso empresário Creonte. Jasão termina por largar Joana e os dois filhos para casar-se com Alma, a filha do empresário. A primeira montagem teve Bibi Ferreira no papel de Joana e a direção de Gianni Ratto.
JOANA Tudo está na natureza encadeado e em movimento – cuspe, veneno, tristeza, carne, moinho, lamento, ódio, dor, cebola e coentro, gordura, sangue, frieza, isso tudo está no centro de uma mesma e estranha mesa Misture cada elemento – uma pitada de dor, uma colher de fomento, uma gota de terror O suco dos sentimentos, raiva, medo ou desamor, produz novos condimentos, lágrima, pus e suor Mas inverta o segmento, intensifique a mistura, temperódio, lagrimento, sangalho com tristezura, carnento, venemoinho, remexa tudo por dentro, passe tudo no moinho, moa a carne, sangre o coentro, chore e envenene a gordura Você terá um ungüento, uma baba, grossa e escura, essência do meu tormento e molho de uma fritura de paladar violento que, engolindo, a criatura repara o meu sofrimento co'a morte, lenta e segura JOANA (Vestindo os filhos) Eles pensam que a maré vai mas nunca volta Até agora eles estavam comandando o meu destino e eu fui, fui, fui, fui recuando, recolhendo fúrias. Hoje eu sou onda solta e tão forte quanto eles me imaginam fraca Quando eles virem invertida a correnteza, quero saber se eles resistem à surpresa, quero ver como eles reagem à ressaca. | Veneno | | Gota d'Água | | Bibi Ferreira | |
É muito diferente a sensação de ouvir um hino como se ouve uma música: acostumados a cantá-los amontoados nos pátios de colégios, abanando-nos de calor, incomodados por estarmos de pé e, às vezes, não nos lembrarmos da letra, num ambiente confortável podemos deixar nosso sentimento e nossas lembranças marcharem juntos por grandes avenidas decoradas.
Este, para mim, é nosso hino mais solene, a música-tema de nosso símbolo maior, a Bandeira nacional. Esta que traz um padrão geométrico e cores tão diversos é representada por um hino cuja letra, impecavelmente composta por Olavo Bilac, traz incomuns versos eneassílabos.
HINO À BANDEIRA
Salve, lindo pendão da esperança! Salve, símbolo augusto da paz! Tua nobre presença, à lembrança, A grandeza da Pátria, nos traz!
Recebe o afeto que se encerra Em nosso peito juvenil Querido símbolo da terra, Da amada terra do Brasil!
Em teu seio formoso, retratas Este céu de puríssimo azul, A verdura sem par destas matas E o esplendor do Cruzeiro do Sul
Recebe o afeto ...
Contemplando o teu vulto sagrado, Compreendemos o nosso dever, E o Brasil, por seus filhos, amado, Poderoso e feliz há de ser!
Recebe o afeto ...
Sobre a imensa Nação Brasileira Nos momentos de festa ou de dor, Paira sempre, sagrada Bandeira, Pavilhão da justiça e do amor.
Recebe o afeto ...
(Poucas vezes na vida pude ter contato com algo tão barroco: se eu pudesse transcrever em poesia o que Bach musicou, algo parecido sairia...)
NO SERMÃO QUE PREGOU NA MADRE DE DEOS D. JOÃO FRANCO DE OLIVEYRA PONDERA O POETA SOBRE A FRAGILIDADE HUMANA.
Na oração, que desaterra.......................aterra Quer Deus, que, a quem está o cuidado....dado Pregue, que a vida é emprestado............estado Mistérios mil, que desenterra.................enterra.
Quem não cuida de si, que é terra..........erra Que o alto Rei por afamado...................amado, E quem lhe assiste ao desvelado.............lado Da morte ao ar não desaferra.................aferra.
Quem do mundo a mortal loucura...........cura, A vontade de Deus sagrada....................agrada, Firmar-lhe a vida em atadura..................dura.
Ó voz zelosa, que dobrada.....................brada, Já sei, que a flor da formosura................usura Será no fim desta jornada.......................nada.
* * *
| |