Blog EntryPENSAMENTOS INCOMPLETOS -- FRAGMENTO 0DB.7D7Aug 7, '07 11:00 PM
for everyone

.....ez não consiga sem tocal-o. Môço! ei môço! Tens por accaso algum pão dormido? (surpreso pela idea que se me veio de subito, posso preparar-me para realizar meu intento depois de traduzir a sucção essencial do objecto). Me olhas, me captas? Preciso de um pão dormido porque os meus não conseguem dormir – nem êlles nem essas coisas todas, ellas mesmas em volta de mim não dormem há muito tempo. E assim estou há dias, mas não os dias como colecção de horas mas de annos que estou desperto por incapacidade de adormecer e que, por uma necessidade de immanencia, passam tão ràpidamente quanto um septimo humano de semmana. E então, môço, por alguma sorte nossas densidades de probabilidade se alçaram nalgum contacto sympathico? Tomara que eu, p.r D..s, consiga absorver de algo que já dormiu um pouco da tranqüillidade de não precisar acordar... Si o que te peço, môço, estiver a dormir, prometo esperar com êlle, nós dois, pela concomitancia de eventos oppostos: velarei inerme o seu somno sem confeito, aguardando o instante quasi polar em que o segrêdo expresso no seu despertar me regalará com a euhypnia cabal dos deuses minimos, fazendo-me transcender a consciencia já fôsca e rarefeita pela falta de lapso – destarte poderei quiçá finalmente falar outra vez a lingua que apprendi ainda no ventre, quando todo dialogo, ainda que manifesto, era soliloquio fluido e abundante.....


papitata wrote on Aug 7, '07, edited on Aug 7, '07
"Pão dormido" é óptimo conceito. Meus parabéns.
Tenho que discordar com o solilóquio uterino pois aparenta que captamos muitos sons, entre os quais o da voz da mãe, de músicas que se forem repetidas nos recordaremos já cá fora e às quais reagiremos em consonância, a vozes de familiares que forem repetidas. Isto vi-o em documentário que acompanhou o pré-nascimento e crescimento de vários bebés, uns expostos a determinados sons e outros não. Num exemplo, os bebés estavam numa sala. Começaram a chorar, uns após outros. Uma melodia foi posta a tocar. Os expostos a ela ainda no útero calaram-se e sorriram, alguns, em reconhecimento. Os que nunca a tinha ouvido continuaram a chorar. Curioso, não?

" p.r D.s." -- Explica? Ou deve permanecer misterioso? Contento-me com ambas as respostas.

Os fragmentos estão a ser devidamente numerados, independentemente da ordem a que a eles somos expostos (ou a que são scriptos)?
danielcz wrote on Aug 8, '07
Ah, que bom que gostaste, António! Fico feliz por isso e por tua réplica :^)

Sei sim sobre o fato dos bebês conseguirem captar e memorizar sons ainda no ventre. Minha mãe disse que expôs a mim e a meus irmãos a músicas de Bach, Mozart e Vivaldi. Talvez resultante disso, meu irmão e eu temos grande interesse por música, e minha irmã, embora nunca tenha querido estudar nada relacionado a música, tem um excelente ouvido e é afinadíssima!

O solilóquio a que me refiro é mais relacionado a um monólogo interior, ainda que sejam, para a Teoria Literária, conceitos diferentes, quase opostos.

"p.r D..s", como tenho observado, é o modo como Abobran Yielkis costuma grafar "por Deus". Algo parecido já ocorrera em postagens anteriores ("gr.ç.s a .....s" por "graças a Deus", etc.). Penso que há uma resistência sua em mencionar o deus encadernado...

Os fragmentos estão numerados de modo a registrá-los no tempo: são sempre dois números hexadecimais; o primeiro relativo ao dia do ano em que foi escrito (o 219.º dia deste ano é 7 de agosto, e 0DB é 219 em hexadecimal), e o segundo, ao ano (7D7, em hexadecimal, é 2007).

Folgo muitíssimo em receber comentários sobre esses escritos! Abobran Yielkis e eu agradecemos imenso :^)
papitata wrote on Aug 8, '07
Grato pelos esclarecimentos, todos eles muito interessantes.

Com que então você está datando os textos com o calendário Juliano em hexadecimal. Muito bem.

Abobran Yelkis? Desconheço, Daniel. Mas o nome próprio remete-me para o campo das plantas da família Cucurbitaceae. Com piada e sem ela. O que o atrai em Yelkis?
danielcz wrote on Aug 8, '07, edited on Aug 8, '07
António, o Abobran Yielkis foi um pseudônimo que criei há tempos... Fi-lo ao perceber que a maioria dos meus escritos me vêm de chofre, como que se psicografados. A partir daí, engendrei esse heterônimo semi-espiritualista que se ocupa das coisas densas da alma nuns textos simbolistas-posmodernos-neobarrocos :^)

Tem lances interessantes acerca da criação do Abobran, depois posso contar mais detalhes -- nada relacionado ao reino Plantae, isso é verdade *hehehehe* ;^)

Abraços!
maykbonami wrote on Aug 8, '07
Dan, menino! Já há tempos não postas. Abobran esteve dormindo ou vagando?
Saudades, piá!

Maravilhoso esse fluido Yelkisiano. Lindo de ler, de uma essência um tanto aromática e formidável para dias em que se busca tal sabor de coisas adormecidas. Tudo fala demais...

Deixo, sobretudo, outras tantas palavras adormecidas guardadas para o dia do abraço!
Add a Comment
   
© 2008 Multiply, Inc.    About · Blog · Terms · Privacy · Corp Info · Contact Us · Help

Template design - Copyright © 2005 Sam Royama All rights reserved.